Cidades
Filhas mantêm vigília no HGE enquanto mulher que teve 90% do corpo queimado luta pela vida
Família relata histórico de dependência financeira e traições; crime ocorreu após convite para conversar
A tentativa de feminicídio registrada na Favela Coca-Cola, no Distrito Industrial, parte alta de Maceió, continua mobilizando familiares e moradores. Internada no Hospital Geral do Estado (HGE) desde o último dia 26 de junho, Ana Paula Oliveira da Silva, de 43 anos, permanece em estado grave após sofrer queimaduras em cerca de 90% do corpo. Do lado de fora da unidade hospitalar, familiares e amigos mantêm uma vigília em oração enquanto acompanham a recuperação da vítima.
O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, Carlos Henrique Onofre dos Santos, de 26 anos, preso no mesmo dia do crime e atualmente custodiado no sistema prisional à disposição da Justiça.
Segundo informações da família, o casal estava separado havia cerca de uma semana. Na tarde do crime, Carlos Henrique foi até a casa de Ana Paula e a convidou para sair sob o argumento de que queria conversar. Os dois seguiram até uma área de mata próxima à comunidade.
De acordo com o relato da vítima aos policiais, que atenderam a ocorrência, o homem pediu que ela aguardasse enquanto buscaria algo. Minutos depois, retornou com combustível e ateou fogo em seu corpo.
Quando as equipes da Força Tática da 5ª Companhia Independente chegaram ao local, o Corpo de Bombeiros já realizava o atendimento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou queimaduras em aproximadamente 90% da superfície corporal, além de lesões nos olhos e perda dos cabelos. A vítima foi encaminhada em estado crítico ao HGE.
Família relata dificuldades e faz apelo por justiça
Em entrevista ao Tribuna Hoje, a filha da vítima, Amanda Oliveira, afirmou que o relacionamento era marcado por dificuldades. Segundo ela, Carlos Henrique não possuía emprego fixo, realizava trabalhos esporádicos e era sustentado financeiramente por Ana Paula. (Assista vídeo, abaixo da matéria 👇)
Amanda também relatou que o suspeito mantinha outros relacionamentos durante a união, já respondia por outros crimes e acredita que a motivação do ataque tenha sido ciúmes após o fim do relacionamento.
Protesto acelerou transferência para UTI
Segundo a família, Ana Paula chegou ao HGE em estado gravíssimo, mas não foi encaminhada imediatamente para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No domingo (28), filhas, parentes e amigos realizaram um protesto em frente ao hospital cobrando a transferência.
Após a mobilização, a vítima foi encaminhada para a UTI, onde permanece internada. Desde então, familiares seguem em vigília na porta do hospital e organizam uma corrente de oração pela recuperação de Ana Paula.
Suspeito foi localizado horas depois
Horas após o crime, policiais militares localizaram Carlos Henrique em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió. Ele recebia atendimento por queimaduras sofridas durante a ação.
Após ser medicado, foi conduzido à Central de Flagrantes, onde foi autuado pelos crimes de tentativa de homicídio e violência doméstica, nos termos da Lei Maria da Penha. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias do ataque.
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Filha de Ana Paula.mp4

